sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Topofilia - afectividade pelo lugar

Por uma pesquisa rápida na internet, descubro que este elo afectivo que a pessoa cria com o lugar designa-se de topofilia. Tuan (1974) refere que esse sentimento pode tornar agradável aos olhos do indivíduo o que para outras pessoas seria uma tristeza, ou seja, o fato de conviver frequentemente com misérias e desavenças por exemplo, faz com que essas situações já não sejam vistas como problemas e sim como ocorrências comuns.


Por outro lado, a percepção do espaço que nos rodeia está directamente ligada aos nossos valores, i.e., aquilo que observamos na paisagem tem relação com o mundo particular ao qual pertencemos. Mais do que isso, nestes já 8 anos que aqui resido, sinto que este meu bairro também conseguiu mudar o meu mundo particular.


Fez-me descobrir que se pensarmos no que gostamos de fazer, muitas vezes é super simples fazê-lo e está ao nosso alcance. O universo nem sempre nos dá o que queremos, mas sim o que precisamos.


Dou-vos um exemplo.
Em 2005, fiquei com a Maggie, uma cadela labrador preta, brincalhona e meiga. Passeio-a desde então pelo menos duas vezes por dia, pelos espaços verdes em redor da minha casa.
Ao longo dos anos fui-me apercebendo que estes passeios, à primeira vista e por muitos encarados como 1 fardo para quem tem cão, têm-se revelado afinal óptimos para mim por várias razões:
- obriga-me a caminhar (já referi antes que esta actividade per si não me traz qualquer prazer);
- permite-me ter 1 desbloqueador de conversa e assim socializar com os vizinhos;
- dá-me a oportunidade de verificar diariamente as alterações da paisagem;
- faz-me conhecer melhor o bairro, indo a sítios que nunca teria ido sozinha de forma errante;
- incute-me a vontade de observar a variação do ciclo da natureza no bairro;
- traz movimento ao bairro em diferentes horas do dia;

Basicamente, tenho mais espaço livre do que se estivesse numa vivenda, mas sem ter que me preocupar em podar, limpar as folhas periodicamente, contratar alguém para tratar das coisas. Enfim, apenas tenho que disfrutar tranquilamente.

E para mim, tudo isto que ganhei, no meio da cidade, tem sido de 1 riqueza incalculável para a minha felicidade!

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