sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Como cheguei a este bairro?

Como se chega a 1 bairro? Como se escolhe onde se quer morar?

Cada pessoa terá os seus critérios de escolha.

No meu caso, com o curso tirado e tendo arranjado emprego em Lisboa, urgia comprar casa.

Estava desde os meus 16 anos em quartos "a prazo", ou seja, no final do ano lectivo, tinha que trazer toda a bagagem de volta para casa dos meus pais. Não queria continuar assim, sempre de malas às costas. Estava cansada desta itinerância, queria um espaço mesmo meu, fixo.
Tinha 2 requisitos mínimos obrigatórios: ser pelo menos T3 e estar em Lisboa, ao pé do metro. Quando digo ao pé do metro, quero dizer colado mesmo, em que a distância a pé seja até 5 minutos. Explicito bem isto porque foram várias as casas que a imobiliária me foi mostrar mais longe (a pelo menos 10-15 mins a pé), mostrando outras vantagens que poderiam ser valoradas, mas que não o eram para mim. Havia por exemplo 1 casa que estava linda, toda remodelada, outra que tinha piscina no condomínio. Ambas longe do metro e  por caminhos que eu considerava inseguros. Usar o carro de forma frequente para ir para o trabalho estava fora das minhas opções de vida aquando da escolha da casa.

Isto do requisito do metro tem a ver nomeadamente com as minhas preocupações ambientais. Além disso, ou por isso, considero que a minha qualidade de vida será bem melhor se optar por usar os transportes públicos em vez de pegar no carro todos os dias para me enfiar em filas de trânsito e perdas de paciência a arranjar lugar para estacionar no centro da cidade. Além disso, nos transportes públicos, sempre se pode aproveitar o tempo para ler, conversar com amigos e colegas que partilhem o mesmo trajecto,...

No entanto, sou preguiçosa para andar longas distâncias todos os dias ou andar a trocar de transportes públicos - apanhar autocarro e metro, por exemplo. Como poderia ir de metro para o trabalho, sem ter que pegar no carro ou autocarro, reconhecendo esta minha preguiça? A alternativa era mesmo estar numa casa (quase) colada ao metro.

A procura foi morosa, mas ENCONTREI!

Como não conhecia bem a zona, antes de adquirir a casa que mais gostei, passei a estacionar o carro lá ao pé e apanhar aí o metro, para ver se me ambientava e se me conseguia identificar com aquele novo espaço que acabava de conhecer. Havia muita gente que vinha de fora de Lisboa e fazia o mesmo, 1 amiga minha também o fazia, pelo que cedo me familiarizei com o bairro e passei a sentir segurança em deixar ali o carro.

De facto, o que não faltava por ali era espaço para estacionar. Sem parquímetros. Não é que fosse precisar de estar preocupada com isso no dia-a-dia, mas gosto desse conforto.

Resumindo, comprei aquela casa e cedo apaixonei-me pelo meu bairro e pelos meus vizinhos.

O meu Pai diz que aprendemos a amar o local onde moramos. Talvez tenha sido isso.
O que é certo é que comparando este local com todos os outros em que vivi, é de longe o meu preferido.

Este bairro já faz parte de mim.

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