quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A surpresa de hoje

À partida, o que nos apraz dizer desta foto?


- Alguns tipos de árvores, com diferentes tonalidades.
Devo assegurar-vos que ao vivo as diferenças são bem mais interessante, especialmente o contraste desta árvore à nossa direita, com um vermelho (que nesta foto quase se confunde com sombra) embelezado pelas folhas verdes. Mas esta falta de cor é culpa da fotógrafa, que ainda não sabe tirar a foto da melhor forma.

- Um outro ponto interessante é o horizonte ao fundo, por entre o arvoredo. Mais uma vez, sem ser muito notório na foto, por ainda falta de habilidade.

- Se neste preciso local me virasse para a direita, ontem (se tivesse levado máquina fotográfica) tinha conseguido captar um excelente nascer do sol, com tons violeta rosácea num céu azul acizentado sobre a ponte Vasco da Gama. Como não levei ontem e hoje não achei nada de especial (provavelmente pelo termo de comparação estar ainda tão presente), resta-me a memória.

Estes são os aspectos que me absorvem ao rever esta paisagem.

Mas hoje, a Maggie decidiu desviar a minha atenção para outra parte da paisagem que eu estava a ignorar: o prado.


Nada de especial na imagem deste pedaço de terra, certo? Bocados de relva verde e seca, paus, terra, folhas secas,...

Nada que me prenda vontade para fazer 1 registo fotográfico.
Mas se tivermos a sorte de ter os olhos aqui durante alguns instantes, por exemplo, por ter que limpar as fezes da nossa cadela (cheia de sorte, hein?), então veremos algo mais.

Vou baixar-me 1 pouco mais, para ver se consigo captar melhor.



Já consegue encontrar?
Se não, baixe-se ainda mais.


Isso, está bom.

Upa. Saltou! 1 gafanhoto :)



P.S. - se ainda o não conseguiu encontrar, dou-lhe 1 pista, é amarelado, confunde-se com os paus e relva seca.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Como se preparar para ser surpreendido.

Comecei a reparar na riqueza que podia observar nos espaços verdes à minha volta por passeios continuados, diariamente e ao longo de vários anos.

Como há uma grande dose de aleatoriedade nas condições climatéricas, nunca sei o que vou encontrar no dia ou na semana seguinte, pelo que é sempre um entusiasmo quando me permito observar essas diferenças.

Poderemos dizer que primeiro que tudo precisamos de 1 boa dose de sorte.



Como nas cartas e na vida, considero que a sorte continuada constrói-se. O que é preciso é estar atento aos sinais (do parceiro e adversários) e a sorte vem ter connosco.

Às vezes literalmente.

  

Para que essa atenção ocorra, temos que nos sentir confortáveis e estar preparados.


 E então, sim, podemos ligar o "modo" contemplativo.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Bicicletada

Ontem, decidimos estrear a cadeira que tínhamos comprado já há um ano, para colocar na traseira da nossa bicicleta, para que a nossa filha possa andar de bicicleta com os pais.
Ela andava toda excitada enquanto estivemos a montar tudo. Só se queria sentar na cadeira, estava eléctrica.
A operação ainda demorou 1 pouco - a instalar a cadeira e depois ainda levando a bicicleta às bombas para encher os pneus vazios, pelo seu não uso.
Durante este tempo de espera expliquei-lhe o que íamos fazer e introduzi-lhe o capacete.

Com a bicicleta pronta, colocamos a Luísa na cadeira. Esteve muito calada e quieta durante o passeio.

A certa altura, diz-me:
- Xi xi.
- Queres fazer xixi, filha?, pergunto.
- Sim.
Páro a bicicleta e tento tira-lhe o cinto, sem sucesso. Digo-lhe que não consigo e pergunto:
- E agora?
Resposta pronta da minha filha:
- Papá.

Sim, o Papá saberá concerteza tirar-te o cinto. E assim foi.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Topofilia - afectividade pelo lugar

Por uma pesquisa rápida na internet, descubro que este elo afectivo que a pessoa cria com o lugar designa-se de topofilia. Tuan (1974) refere que esse sentimento pode tornar agradável aos olhos do indivíduo o que para outras pessoas seria uma tristeza, ou seja, o fato de conviver frequentemente com misérias e desavenças por exemplo, faz com que essas situações já não sejam vistas como problemas e sim como ocorrências comuns.


Por outro lado, a percepção do espaço que nos rodeia está directamente ligada aos nossos valores, i.e., aquilo que observamos na paisagem tem relação com o mundo particular ao qual pertencemos. Mais do que isso, nestes já 8 anos que aqui resido, sinto que este meu bairro também conseguiu mudar o meu mundo particular.


Fez-me descobrir que se pensarmos no que gostamos de fazer, muitas vezes é super simples fazê-lo e está ao nosso alcance. O universo nem sempre nos dá o que queremos, mas sim o que precisamos.


Dou-vos um exemplo.
Em 2005, fiquei com a Maggie, uma cadela labrador preta, brincalhona e meiga. Passeio-a desde então pelo menos duas vezes por dia, pelos espaços verdes em redor da minha casa.
Ao longo dos anos fui-me apercebendo que estes passeios, à primeira vista e por muitos encarados como 1 fardo para quem tem cão, têm-se revelado afinal óptimos para mim por várias razões:
- obriga-me a caminhar (já referi antes que esta actividade per si não me traz qualquer prazer);
- permite-me ter 1 desbloqueador de conversa e assim socializar com os vizinhos;
- dá-me a oportunidade de verificar diariamente as alterações da paisagem;
- faz-me conhecer melhor o bairro, indo a sítios que nunca teria ido sozinha de forma errante;
- incute-me a vontade de observar a variação do ciclo da natureza no bairro;
- traz movimento ao bairro em diferentes horas do dia;

Basicamente, tenho mais espaço livre do que se estivesse numa vivenda, mas sem ter que me preocupar em podar, limpar as folhas periodicamente, contratar alguém para tratar das coisas. Enfim, apenas tenho que disfrutar tranquilamente.

E para mim, tudo isto que ganhei, no meio da cidade, tem sido de 1 riqueza incalculável para a minha felicidade!

Como cheguei a este bairro?

Como se chega a 1 bairro? Como se escolhe onde se quer morar?

Cada pessoa terá os seus critérios de escolha.

No meu caso, com o curso tirado e tendo arranjado emprego em Lisboa, urgia comprar casa.

Estava desde os meus 16 anos em quartos "a prazo", ou seja, no final do ano lectivo, tinha que trazer toda a bagagem de volta para casa dos meus pais. Não queria continuar assim, sempre de malas às costas. Estava cansada desta itinerância, queria um espaço mesmo meu, fixo.
Tinha 2 requisitos mínimos obrigatórios: ser pelo menos T3 e estar em Lisboa, ao pé do metro. Quando digo ao pé do metro, quero dizer colado mesmo, em que a distância a pé seja até 5 minutos. Explicito bem isto porque foram várias as casas que a imobiliária me foi mostrar mais longe (a pelo menos 10-15 mins a pé), mostrando outras vantagens que poderiam ser valoradas, mas que não o eram para mim. Havia por exemplo 1 casa que estava linda, toda remodelada, outra que tinha piscina no condomínio. Ambas longe do metro e  por caminhos que eu considerava inseguros. Usar o carro de forma frequente para ir para o trabalho estava fora das minhas opções de vida aquando da escolha da casa.

Isto do requisito do metro tem a ver nomeadamente com as minhas preocupações ambientais. Além disso, ou por isso, considero que a minha qualidade de vida será bem melhor se optar por usar os transportes públicos em vez de pegar no carro todos os dias para me enfiar em filas de trânsito e perdas de paciência a arranjar lugar para estacionar no centro da cidade. Além disso, nos transportes públicos, sempre se pode aproveitar o tempo para ler, conversar com amigos e colegas que partilhem o mesmo trajecto,...

No entanto, sou preguiçosa para andar longas distâncias todos os dias ou andar a trocar de transportes públicos - apanhar autocarro e metro, por exemplo. Como poderia ir de metro para o trabalho, sem ter que pegar no carro ou autocarro, reconhecendo esta minha preguiça? A alternativa era mesmo estar numa casa (quase) colada ao metro.

A procura foi morosa, mas ENCONTREI!

Como não conhecia bem a zona, antes de adquirir a casa que mais gostei, passei a estacionar o carro lá ao pé e apanhar aí o metro, para ver se me ambientava e se me conseguia identificar com aquele novo espaço que acabava de conhecer. Havia muita gente que vinha de fora de Lisboa e fazia o mesmo, 1 amiga minha também o fazia, pelo que cedo me familiarizei com o bairro e passei a sentir segurança em deixar ali o carro.

De facto, o que não faltava por ali era espaço para estacionar. Sem parquímetros. Não é que fosse precisar de estar preocupada com isso no dia-a-dia, mas gosto desse conforto.

Resumindo, comprei aquela casa e cedo apaixonei-me pelo meu bairro e pelos meus vizinhos.

O meu Pai diz que aprendemos a amar o local onde moramos. Talvez tenha sido isso.
O que é certo é que comparando este local com todos os outros em que vivi, é de longe o meu preferido.

Este bairro já faz parte de mim.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Marinada

Lendo o porquê do primeiro post, até parece que o processo de decisão de escrita deste blog e do seu respectivo tema foram simples.

Já criei vários blogs e vou escrevendo em alguns, mas reflectindo sobre o porque é que não os mantinha na minha rotina (quase) diária, apercebo-me que não aglutinavam aquilo que me dá mais prazer e que faz parte do meu dia-a-dia.

E hoje, como que por magia (mas com 1 período de marinação de já 9 meses, algumas tentativas de projectos e muitas leituras), consegui enquadrar o que pretendo num só blog. Este blog foi a minha ideia "aha! É mesmo isto!".

O que pretendo aqui é trazer 1 pouco daqueles nadas que me enchem o dia. E esses nadas estão intimamente ligados ao bairro onde vivo.

Ao rever esses momentos, vejo que as coisas simples da vida, que nos fazem sorrir, estão ao nosso alcance e são gratuitas. Basta estarmos atentos e aceitarmos com 1 sorriso nos lábios o que o vento nos traz. E ele traz maravilhas.
Vão por mim :)

Porque...sim!

Porque quero registar e partilhar aqueles momentos que vivo com prazer no meu bairro:
Olivais Sul, Lisboa.