quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Fugaz

Tudo o que nos rodeia tem o seu tempo de vida.
Mas isso não nos impede de adorar o efémero, o supérfulo, de gastar recursos sem pensar na geração que aí vem.

Se pensarmos a uma escala maior, tudo se torna relativo.


Depois da nossa passagem pela vida, o que queremos que fique?

O que realmente importa?

Durante a nossa passagem, como queremos gastar o nosso tempo?

Olho para o momento que captei. A Maggie terá quanto muito mais 10 anos de vida. Tal como na foto, ela aqui é o elemento mais fugaz, isto é, depois de ela desaparecer, tudo o resto se mantém, com mais ou menos alterações - as pedras da calçada, as oliveiras centenárias, ...

Eu amo aquilo / quem partilho as minhas rotinas, os nadas.

A Maggie pode ser fugaz em relação ao resto da paisagem, em termos de tempo de vida, mas hoje é bem mais importante para mim do que tudo o resto que ali se vê. A sua ausência causa-me 1 vazio, 1 silêncio ensurdecedor pela casa.
Graças à Maggie estou a partilhar parte do meu dia e noite com o meu bairro. Será que depois dela ir, terei aprendido a amá-lo ao ponto de querer continuar com estes passeios diários, apenas para o saudar?

Diz-se que só se ama o que se conhece. Mas eu também quero conhecer melhor o meu bairro, para o amar ainda mais, para que ele se entranhe, para aprender de cor a sua alma.

O que é certo é que já dei por mim sentindo falta da minha paisagem quando vou para outros ares.

As raízes começam a crescer.

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